23 de jan de 2011

As "Lobas" da E. F. Sorocabana


Nesta postagem, falarei sobre uma famosa série de locomotivas, com um grau de parentesco próximo em relação às “V8” e às “Escandalosas”, (temas de minhas duas últimas postagens) e que foram ícones da tração elétrica em bitola métrica.

Sua história começou quando a E. F. Sorocabana resolveu eletrificar suas linhas, isso em plena 2ª Guerra Mundial, e foram entregues mesmo sob o risco das embarcações que as traziam serem afundadas por submarinos alemães, o que miraculosamente não ocorreu, e conseguiram chegar todas as 20 locomotivas em total segurança ao Brasil.

Das vinte unidades, 10 foram encomendadas à GE e 10 à Westinghouse, mas com os equipamentos mecânicos feitos exclusivamente pela GE. tinham 2000HP de potência, sendo as locomotivas de bitola métrica mais potentes da época. A General Electric chegou a considerar o uso de carenagens aerodinâmicas para as locomotivas elétricas destinadas à E.F. Sorocabana. Essa era uma abordagem muito em voga na época, como era o caso das locomotivas elétricas “V8” da Companhia Paulista, pois apresenta diversas vantagens, a começar pela redução do consumo de energia e aumento da velocidade dos trens, ao minimizar a resistência do ar ao avanço da composição. Mas isso não foi possível no caso das Lobas, pois o comprimento da carenagem estava rigidamente fixado pelas especificações da E.F. Sorocabana. E era impossível, dentro das dimensões estabelecidas, colocar todo o aparelhamento de controle e auxiliar mais o acabamento aerodinâmico nas extermidades da máquina.

A solução foi adotar uma carenagem semi-aerodinâmica com superfície lisa, suprimindo-se o uso de rebites através do uso intensivo de solda elétrica, um processo ainda muito novo na época. As rodas da locomotiva foram mantidas expostas para facilitar o acesso nas operações de inspeção e manutenção. Devido à grande quantidade de curvas de pequeno raio, típicas da via permanente da E.F. Sorocabana, e a necessidade de se minimizar os desgastes do aro determinou a adoção de um rodeiro de guia em cada extermidade da locomotiva. Ou seja, foi adotada a disposição 1-C+C-1.

Elas foram as únicas locomotivas elétricas da Sorocabana até o final dos anos 60, quando foram adquiridas 30 locomotivas de 1800HP, fabricadas pela unidade da GE em Campinas, São Paulo. A pouca quantidade de locomotivas elétricas se deu devido à chegada das diesel-elétricas, que embora a manutenção fosse mais cara, tinham maior versatilidade, pois não precisavam de rede aérea.

Com o fim da Sorocabana, foram incorporadas à Fepasa, e continuaram tracionando trens de passageiros e cargas pela região Sudoeste e Oeste de São Paulo até a chegada da Ferroban, quando foram aposentadas, em 1999. Curiosamente, pelo menos até dezembro de 2001 três locomotivas Lobas (#2006, #2013 e #2017) ainda foram vistas tracionando trens de carga entre São Paulo e Amador Bueno. Em outubro de 2002 a #2017 comprovadamente tornou a ser vista em operação, ainda que com sua caixa totalmente pichada. A ALL (América Latina Logística, atual concessionária das linhas da Sorocabana) chegou a reformar duas, mas o projeto não foi adiante. Parece que o fim delas será o mesmo das suas primas “V8’s” e “Escandalosas”: o lixo...


Mais algumas fotos das Lobas:


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